A banda AgnosticFront publicou um blog na sua página oficial no site MySpace e revelou a arte e a lista com as faixas de seu próximo álbum de estúdio, MyLifeMyWay, que será lançado no dia 4 de março na Europa e no dia 22 do mesmo mês nos Estados Unidos pela gravadora NuclearBlast. Confira a seguir:
01 City Street 02 More Than a Memory 03 Us Against The World 04 My Life My Way 05 That’s Life 06 Self Pride 07 Until The Day I Die 08 Now And Forever 09 The Sacrifice 10 A Mi Manera 11 Your Worst Enemy 12 Empty Dreams 13 Time Has Come
A arte foi criada por ToddHubber, que trabalha com o vocalista do grupo, RogerMiret, criando designs para a sua grife, AmericanMadeKustom. As faixas foram gravadas no estúdio Mana, localizado na cidade de Tampa, Flórida. O produtor do álbum foi ErikRutan, o mesmo que já trabalhou com as bandas CannibalCorpse, Goatwhore e Madball. AlanDouches, o engenheiro musical, masterizou todas as músicas.
O primeiro fato que me chamou a atenção logo depois que conheci a banda AgnosticFront, há muitos anos, foi a arte de seu primeiro álbum de estúdio, VictimInPain:
A postura skinhead, identificada pela própria banda, somada a fotografia mostrando uma execução em um campo de concentração, gerou controvérsias entre os punks da cidade de São Francisco, Califórnia. Escritores do zine MRR, que circulava na cidade naquela época, começaram notar a presença de neonazistas gerando problemas em inúmeros shows na costa Oeste dos Estados Unidos. O fato de que o vocalista do grupo, RogerMiret, era cubano, prevenia que os membros do grupo fossem taxados de white powers, mas não de conservativos, de direita e nacionalistas. Tal controvérsia beneficiou a banda em termos de popularidade e vendagem do álbum e ajudou que o grupo gravasse seu segundo álbum de estúdio, CauseForAlarm. Este novo trabalho do grupo mostrou ao seus fãs o rumo, no que diz respeito a seu gênero musical, que a banda ia tomar e trás como sua 12a faixa a música PublicAssistance, assunto principal dessa publicação. A fama fez com que o grupo fosse convidado para participar do programa no formato talk-show ThePhilDonahueShow, cujo apresentador se chama PhilDonahue:
Na entrevista, um garoto que mente ter 19 anos, acusa o jornalista PeterBlauner, de o ajudar com bebidas e jantares em troca de informações sobre os membros da LowerEastSideCrew, grupo do qual os membros da banda fazem parte até hoje. Em seguida, o apresentador do programa lê a letra da música para o público presente e a audiência da rede de televisão. VinnieStigma, guitarrista do grupo, responde para PhilDonahue que a banda se propõe a escrever músicas sobre a inquietação social e que a letra de PublicAssistance fala por si só. O vídeo acima foi editado antes de ser publicado no YouTube mas dá para se notar a presença de JimmyGestapo, vocalista da banda Murphy'sLaw. HarleyFlanagan, na época o baixista da banda Cro-Mags, aparece na sequência e dá sua própria interpretação de trechos da letra. O próximo a deixar sua contribuição é RayCappo, vocalista do YouthOfToday, que descreve exatamente como era a cena de Nova Iorque: pessoas com pensamentos opostos, usuários de drogas pesadas e straight edges, convivendo em um mesmo lugar, promovendo os shows e lançando os álbuns de estúdio das bandas juntos. Cappo ainda comenta e reclama da invasão de grandes gravadores e toda o comércio que começou a ocorrer durante os shows.
Esse vídeo realmente é um prato cheio para a história do movimento punk e do gênero musical hardcore, principalmente para os que se identificam mais com as bandas mais pesadas da costa Leste dos Estados Unidos. Pode-se notar a inocência de cada membro da banda que aparece no vídeo ao comentar e ao responder uma pergunta do apresentador. Dessa mesma inocência não compartilham o jornalista PeterBlauner e PhilDonahue. Por qual motivo várias bandas, que faziam parte de uma cena que estava crescendo em progressão geomética, seriam chamadas para comentar sobre uma letra de música que criticava, simultaneamente, o governo estadunidense e aqueles que apenas viviam sustentados por um sistema político?
Da mesma maneira que o apresentador nos condicionou a estigmatizar os jovens garotos, RogerMiret generalizou as pessoas que recebem ajuda financeira do governo. Não são todas as pessoas, nos Estados Unidos, aqui no Brasil ou em qualquer país do mundo que oferece esse auxílio, que abusam e usam o dinheiro para comprar cervejas ou drogas. Não são todas as mulheres que querem fazer aborto simplesmente por abrirem as pernas para seus parceiros e também não são todas as pessoas culpadas pelas balas perdidas que as atingem. Traduzi a letra da música com muito cuidado para poder fazer uma interpretação o mais imparcial possível e permitir que todos faça o mesmo:
Você passa a sua vida vivendo de previdência social ou de esmolas. / Você trás mais crianças ao mundo apenas para conseguir mais cheques. / Dessa maneira você pode comprar mais drogas, conseguir mais vales-refeição e ficar bêbado.
O Tio Sam paga metade dos seus gastos, por isso você pode viver de graça. / Tenho uma família, contas para pagar e ninguém me dá dinheiro / Você não precisa estudar, basta conseguir a ajuda financeira do governo e conseguir dinheiro / Quando você fica doente por causa de alguns tiros, o auxílio-doença paga os remédios e quando Maria engravida, ela consegue aborto gratuito.
São as minorias que choram porque a vida é dura / Na televisão eles aparecem com suas correntes douradas alegando não ter o suficiente / Sugiro que eles limpem os esgotos e se eles não gostarem, para o inferno e sem o auxílio do governo.
No começo do vídeo a seguir, o vocalista da banda faz questão de explicar que a música não trata do racismo, mas dos pais que recebem o auxílio e não o usam para criar e educar seus filhos, e ao invés disso, compram drogas e deixam seus filhos morrerem. No final de seu breve discursso, ele dá entender que o auxílio seria válido caso as pessoas usassem o dinheiro com boas intenções.
A minha conclusão é que, por hora, as estrofes e os versos permitem que qualquer pessoa possa tomar para si uma frase e a coloque no contexto que quiser, para acusar o grupo disso ou daquilo. Muitos zines do início dos anos 80 publicaram entrevistas com o próprio RogerMiret (tentando) esclarecer as diferentes interpretações que apareceram naquela época e que surgem nos dias atuais. Estou trabalhando em cima da tradução de uma entrevista com SteveMartin, ex-segundo guitarrista do grupo, que rebate acusações de JelloBiafra, na época compositor e vocalista da banda de São Francisco, DeadKennedys para publicar em breve.
Autor: Linda Ferreira Data: 2010/12/15 Título: Roger Miret And The Disasters – 12.08.10 Tradutor: ThiagoSNFU Veículo: Absolute Punk Link: http://www.absolutepunk.net/showthread.php?t=2070832
LindaFerreira: Como vocês escolheram o nome da banda?
RogerMiret: O nome original do grupo era KissKissKillKill, mas a gravadora achou que nós deveríamos dar um nome que focasse em algum ponto e por isso trocamos.
LF: Como a banda começou?
RM: Quis fundar uma banda que tocasse o gênero musical punk rock no estilo 77 e já tinha muitas músicas que havia escrito para o grupo AgnosticFront que não se encaixavam na sua sonoridade.
LF: Quais são as principais influências?
RM: Sou um grande fã das bandas TheClash e StiffLittleFingers. Cresci ouvindo o punk rock britânico. Essa com certeza foi a minha maior influência até os dias atuais.
LF: Caso você pudesse escolher qualquer banda para fazer uma turnê, do passado ou do presente, qual seria?
RM: Eu já fiz turnês com meus heróis mas adoraria fazer uma com o TheWho. Vi o TheClash tocar em Nova Iorque e fui embora antes do TheWho tocar porque achava que eles não eram punks o suficiente naquela época. Que idiota eu era.
LF: Caso você fosse um animal, qual gostaria de ser?
RM: Não sei.
LF: Por que as pessoas deveriam ouvir as músicas de sua banda?
RM: As pessoas deveriam ouvir nossas músicas porque acho que somos uma boa banda. Nós não estamos nem aí para qualquer definição de música. Seja no AgnosticFront ou no RogerMiret AndTheDisasters , eu me dedico 110% porque amo muito o que faço.
LF: Caso a banda fosse escolhida para ter uma música no jogo GuitarHero ou RockBand, qual você escolheria para o jogo? Quão difícil você acha que seria de tocar no nível expert?
RM: We’reGonnaFindAWay, do nosso novo álbum GottaGetUpNow. Não sei quão exatamente difícil seria de tocar mas a intenção dela é ser cativante e simples. Não curto muita técnica musical.
LF: Caso você ganhe um Grammy, quem você agradeceria?
RM: Eu agradeceria toda a comunidade punk porque eles me deram uma vida e me permitiram continuar viver por todos esses anos.
LF: Caso você pudesse mudar alguma coisa sobre a indústria da música, o que seria?
RM: Eu gostaria muito de ver os fãs comprando CDs e LPs novamente. As pessoas estão ignorando uma parte muito grande e importante da banda fazendo apenas o download de uma música. Por isso, acho que mudaria o marketing da música para dar ênfase ao lado da compra e para tornar a relação menos orientada pela Internet. A questão da promoção é ótima, mas você não precisa mais nem ao menos ver a banda ou ler as letras das músicas.
LF: Qual foi a experiência de turnês mais memorável?
RM: Foi quando fizemos uma turnê com a banda GoodCharlotte. Encontramos as pessoas mais honestas nessa turnê. Esses caras amam música. Foi espantoso tocar para mais de 15000 jovens berrando que estavam entusiasmadas apenas em ouvir música. É obvio que eles estavam na faixa dos 10 à 15 anos mas fazia o mesmo com a mesma idade no CBGB. A mesma energia que tinha pude perceber nesses adolescentes.
LF: O que o site AbsolutePunk significa para você?
RM: O site nada mais é do que uma ótima página sobre música. Gosto de ler o que as pessoas dizem sobre apresentações ao vivo porque é nelas que uma banda realmente se revela.
LF: Qual música você mais gosta de tocar?
RM: Gosto muito da GiveEmTheBoot. Ela é uma ótima representação da nossa banda.
LF: Qual é o seu lugar favorito para passar as férias?
RM: Qualquer lugar quente.
LF: Qual gênero musical faz você se lembrar da sua infância?
RM: Motown e salsa.
LF: Caso você tivesse super poderes, quais seriam? Por que?
RM: Eu gostaria muito de poder ver por grandes distâncias porque acho que seria legal e porque minha visão é terrível.
LF: Você acha que a banda já mostrou tudo o que tinha?
FM: Não. Nós temos muito a melhorar e muito mais para mostrar. Esse novo álbum de estúdio significa algo diferente e novo para nós. Estamos totalmente prontos para colocar o pé na estrada e tocar.
LF: Diga-me uma coisa que a maioria de seus fãs não conhece sobre você.
RM: A maioria das pessoas me conhece como um cara durão que faz parte da cena de Nova Iorque, mas na verdade sou um cara muito quieto que ama ficar perto de sua esposa e filhos. Eu não bebo mais como antigamente e por isso durante as turnês passo a maior parte do tempo no camarim conversando com a minha família pelo computador.
LF: Qual é o seu feriado favorito?
RM: Halloween, gosto de me fantasiar. O natal também, com as crianças.
LF: O que você gosta de fazer durante seu tempo livre?
RM: Gosto de cozinhar e nadar na minha piscina. Eu também gosto muito de ler.
LF: Quais são os talentos ocultos que você tem?
RM: Sou capaz de tirar um coelho de dentro de uma cartola! Quero dizer, sei cozinhar muito bem e consertar carros e motocicletas.